Era uma vez, no Vale de Dino-Sauria, um tiranossauro chamado Rex. Mas não pense que o Rex era assustador, oh não! Rex era o dinossauro mais fofinho que você poderia imaginar. Ele usava uma camisola de lã às riscas azuis e amarelas, e nos seus pés gigantes, calçava uns ténis vermelhos brilhantes com atacadores tão grandes e laços tão desajeitados que pareciam orelhas de coelho.
Squeak, squeak, squeak! Faziam os ténis do Rex enquanto ele saltitava pelo vale. Rex adorava saber como as coisas funcionavam. Ele sabia por que os ténis faziam barulho (era o ar a sair pela sola!) e sabia por que a sua camisola era quentinha. Mas havia um mistério que ele ainda não tinha resolvido. Às vezes, dentro do seu peito de dinossauro, ele sentia algo a fazer... Tum-tum. Tum-tum.
Um dia, Rex encontrou um objeto prateado e brilhante: um estetoscópio! Era como um par de auscultadores mágicos que, em vez de música da rádio, tocavam a música de dentro das pessoas. Rex colocou as pontas nos seus ouvidos e a outra parte, redondinha e fria, sobre o seu peito, mesmo em cima do seu coração. E então, ele ouviu: "Lub-dub... Lub-dub... Lub-dub..."
"Ooooh!", exclamou Rex, com os olhos cor de mel a brilhar. "O meu coração é um tambor!" Sabias que tu também tens um tambor assim aí dentro? Se puseres a mão no teu peito agora mesmo, consegues senti-lo? É a música da tua própria vida!
Rex, que era muito cientista, decidiu fazer uma investigação. Ele queria ver se a música mudava. Primeiro, ele viu uma semente de dente-de-leão a voar. Whoosh! Ele desatou a correr atrás dela, saltando por cima de troncos e pedras, com os seus ténis vermelhos a chiar no chão. Quando parou, pôs o estetoscópio no peito. A música tinha mudado! Agora era um ritmo de techno super rápido: "Ta-da-da-da! Ta-da-da-da!"
"Espantoso!", pensou Rex, a recuperar o fôlego. "Quando o meu corpo trabalha muito, o meu coração dança mais depressa!"
Mas pouco depois, Rex entrou na Gruta dos Sussurros. Estava escuro. Estava frio. De repente, ele ouviu um som estranho atrás de uma rocha. O seu coração começou a bater de uma forma diferente. Não era uma dança alegre, era um batimento forte e um bocadinho assustado. Bam-bam! Bam-bam! Rex sentiu as mãos a suar. Mas sabem quem estava atrás da rocha? Era a Pip, uma pequena Triceratops, que estava a chorar baixinho porque tinha perdido o seu brinquedo.
Rex percebeu que a Pip estava triste e o coração dela mal se ouvia. Era um som fraquinho e lento, como uma canção de ninar muito triste. Rex sentiu uma vontade enorme de ajudar. Ele deu um abraço gigante na Pip — um daqueles abraços de dinossauro que parecem uma manta quentinha — e ajudou-a a encontrar o seu brinquedo. Aos poucos, o coração da Pip começou a soar mais feliz e o de Rex também se acalmou.
No entanto, Rex ainda estava um bocadinho agitado por causa do susto na gruta. O seu coração ainda fazia "Bam-bam!". Então, ele lembrou-se de uma técnica científica de bem-estar. Ele fechou os olhos, encheu a barriga de ar como um balão e... Sssssssss-Puf! Soltou o ar todo devagarinho. Mais uma vez: Inspira... e Puf!
O que aconteceu a seguir foi mágico. Rex ouviu pelo estetoscópio que a música estava a voltar ao normal. O ritmo agitado acalmou-se até virar um doce e tranquilo "Lub-dub... Lub-dub...". Rex descobriu que ele era o maestro da sua própria orquestra! Ele não podia impedir as emoções de chegar — o medo, a alegria ou a pressa — mas ele podia usar a sua respiração para ajudar o seu coração a encontrar a melodia certa.
Rex voltou para casa muito satisfeito. Ele percebeu que o nosso corpo é um instrumento maravilhoso que nos conta como nos sentimos. Se o teu coração bater depressa, talvez precises de descansar. Se bater devagarinho e triste, talvez precises de um abraço. E se estiveres muito animado, ele vai bater ao ritmo de uma grande festa!
Naquela noite, Rex aconchegou-se na sua camisola às riscas, tirou os seus ténis vermelhos e ficou a ouvir o som reconfortante do seu próprio peito. E foi assim, com um ritmo perfeito e muita calma, que tudo ficou bem. Tu também consegues ouvir a tua música? Lub-dub... Lub-dub... Boa noite, pequeno maestro.