Era uma manhã vibrante na Academia Ninja, e Shiki, a menina-gata com cabelos cor de lua e orelhas prateadas, estava sentada sob um salgueiro, observando o pátio. Enquanto as outras crianças corriam em um jogo barulhento de 'Mega-Tag', Shiki preferia o silêncio. No seu protetor de testa metálico, o símbolo do Yin e Yang brilhava, lembrando-a de manter o equilíbrio. Mas o equilíbrio foi subitamente interrompido por um som pequenino... um 'fiu-fiu' trêmulo vindo de trás de um banco de pedra.
Sabe o que ela encontrou lá? Escondido entre as folhas secas, estava Mochi, um espírito da floresta que parecia uma pequena nuvenzinha de luz verde-esmeralda. Mochi estava soluçando luz por todos os lados! Shiki se aproximou com a graça de uma folha caindo. 'O que houve, pequeno?' perguntou ela. Mochi, que cheirava a pinheiro úmido e musgo, explicou com um sussurro: ele se perdeu da Grande Floresta e, se não voltasse para casa antes do toque do grande sino da escola, os portões mágicos se fechariam por cem anos! Puf! Assim, sem volta.
Shiki olhou para o relógio da torre. Faltavam apenas dez minutos para o fim do recreio. 'Segure-se firme, Mochi!' disse ela, pegando a criaturinha com cuidado e aconchegando-a em sua faixa de seda branca. Com um movimento rápido, Shiki saltou. Šup! Suas sandálias de ninja mal tocavam o chão. Ela era rápida como um relâmpago prateado, mas o caminho não seria fácil. O pátio da escola tinha se tornado uma verdadeira pista de obstáculos ninja!
Primeiro, ela teve que atravessar o campo de 'Mega-Tag'. Imagine centenas de pequenos ninjas correndo em todas as direções! Shiki usou sua flexibilidade, deslizando por baixo de braços e saltando sobre cabeças como se estivesse dançando. 'Vruuum!' Ela passou pelos alunos tão rápido que eles só sentiram uma brisa fresca. Mas logo após o campo, veio o segundo desafio: os Drones de Limpeza Mecânicos. Eles eram redondos, barulhentos e adoravam sugar qualquer coisa que se movesse. 'Bip-bop! Objeto não identificado!' apitavam os robôs.
Shiki sorriu. Ela calibrou sua energia Yang e, com um impulso nas pontas dos pés, saltou sobre um enxame de drones, fazendo piruetas no ar. Bam! Ela aterrissou perfeitamente do outro lado, mas o Labirinto de Arbustos bloqueava seu caminho. E lá, no topo do arco de entrada, estava o Coruja Bibliotecário, com óculos redondos e penas muito sérias. 'Para passar por aqui, uma charada deve responder,' disse ele solenemente. 'O que corre mas não tem pernas, e tem boca mas nunca fala?'
Shiki respirou fundo, buscando sua calma Yin. O tempo estava acabando! 'É o rio!', respondeu ela com clareza. O Coruja piscou, impressionado, e as sebes se abriram com um 'Rrrr-click'. Shiki disparou pelo labirinto, seu rabo de ponta branca balançando freneticamente enquanto ela fazia curvas fechadas. Ela podia ouvir o mecanismo do grande sino começando a ranger no topo da torre. 'Dòng...'
O primeiro toque do sino ecoou pelo pátio. O portão da floresta estava começando a desaparecer em uma névoa dourada. 'Agora ou nunca!' pensou Shiki. Ela concentrou toda a sua força nas pernas atléticas e deu um salto monumental sobre o muro de pedra da escola. Ela parecia voar contra o sol, uma silhueta de agilidade e coragem. Com um último esforço, ela deslizou sobre o musgo macio da Grande Floresta e depositou Mochi suavemente no chão.
'Obrigado, Shiki!' brilhou o pequeno espírito, agora seguro. Ele tocou o bochecha dela, deixando um minúsculo amuleto em forma de bigode que brilhava com uma luz suave. 'Dòng!' O som do último badalo do sino ecoou. Shiki deu uma cambalhota para trás, cruzando o portão invisível no milésimo de segundo antes que ele se tornasse apenas uma parede de hera comum.
Alguns minutos depois, Shiki estava sentada em sua mesa na sala de aula, com o cabelo prateado levemente bagunçado e os pulmões ainda recuperando o fôlego. O professor olhou para ela e perguntou: 'Tudo bem, Shiki? Parece que você acabou de correr uma maratona'. Ela apenas tocou o novo amuleto em seu bolso, sentindo o calor da gratidão de Mochi, e sorriu com seus olhos de cores diferentes. Afinal, ser uma ninja não era apenas sobre ser a mais rápida, mas sobre usar essa velocidade para proteger quem mais precisava. E foi assim que, naquele dia, a maior missão foi cumprida antes mesmo da aula de matemática começar.