Era uma vez, no coração de uma floresta onde as engrenagens giravam como flores e os galhos das árvores pareciam molares, vivia uma duende chamada Spark. Você consegue imaginar como ela era? Ela tinha cabelos cor de cobre, brilhantes como brasas, e suas orelhas pontudas serviam de descanso para seus grandes óculos de couro. Spark não era uma duende comum que cuidava apenas de plantas; ela era uma inventora! Suas bochechas estavam sempre sujas de fuligem cinzenta e seu cinto estava cheio de ferramentas que faziam clic-clac, clic-clac a cada passo que ela dava.
Um final de tarde, quando o sol estava se deitando e pintando o céu de cor-de-rosa, algo muito, muito estranho aconteceu. Spark estava em seu ateliê na árvore quando olhou para o chão. Geralmente, as sombras das árvores ficam bem quietinhas, não é? Mas aquelas sombras estavam fazendo um baile! Elas pulavam, giravam e davam piruetas sob o Grande Carvalho. Zás! Trupe! Elas dançavam sozinhas, mas não havia ninguém por perto para projetar aquela sombra. Os outros bichinhos da floresta, como o Barnabé, o Texugo Grataulão, estavam escondidos. "As sombras ficaram malucas!", reclamava Barnabé por trás de um arbusto. Mas a Spark? Ah, a Spark não teve medo. Ela sentiu uma pontinha de curiosidade cutucando seu coração.
"Ora essa," disse Spark, ajustando seus óculos de latão. "Se existe uma sombra, deve haver algo sob a luz!" Ela pegou sua bolsa de ferramentas e caminhou decidida em direção ao Grande Carvalho. As sombras cresceram e se tornaram um vulto gigante e confuso, que os animais chamavam de 'O Grande Borrão'. Mas você sabe o que a Spark fez? Ela não correu. Ela parou bem na frente do borrão, respirou fundo e tirou do cinto suas Lentes de Cristal Magnéticas. Click! Ela encaixou uma lente, depois outra, e começou a ajustar os parafusos dos seus óculos.
Espreitando através do cristal, Spark viu através da névoa grossa que cobria o bosque. E o que ela viu não era um monstro, nem um borrão assustador. Eram fadinhas minúsculas, transparentes como o ar, chamadas Asas-Cintilantes! Elas estavam presas atrás de uma cortina de fumaça cinzenta e não conseguiam ser vistas. As sombras que assustavam todo mundo eram apenas as fadinhas tentando acenar por ajuda! Você já sentiu medo de algo que, depois, descobriu que era apenas um amiguinho tentando falar com você? Pois foi exatamente isso.
Spark precisava agir rápido. Ela pegou pedaços de vidro, um pouco de fio de cobre e, com as mãos ágeis, construiu um Prisma de Refração. Zuuuum! Quando ela apontou o prisma para a luz do luar, a névoa se dissipou e as fadinhas apareceram em todo o seu esplendor brilhante. A floresta inteira se iluminou com cores mágicas: azul, dourado e violeta! As fadinhas deram risadinhas que pareciam sininhos tocando e agradeceram Spark com um presente especial: um pó de luz que agora faz os óculos dela brilharem no escuro para sempre.
Barnabé e os outros animais saíram de seus esconderijos e todos celebraram a Noite das Visões Claras. Spark percebeu que, às vezes, o que nos assusta é apenas algo que ainda não olhamos de perto o suficiente. E assim, com o coração quentinho e as bochechas ainda um pouco sujas de fuligem, Spark voltou para casa saltitando, pronta para a próxima invenção. E foi assim que tudo deu certo, do jeitinho que deveria ser.