Era uma vez, no oco de um carvalho gigante e muito, muito antigo, uma elfa chamada Spark. Você consegue imaginar como ela era? Ela tinha o cabelo da cor de um pôr do sol bem alaranjado, orelhas pontudas que espiavam por baixo de óculos de couro e — o mais importante — as bochechas sempre sujas de fuligem cinzenta. Sabe por quê? Porque a Spark adorava inventar coisas! No seu cinto, sempre se ouvia um barulhinho: tlin-tlin, clinc! Eram suas ferramentas mágicas prontas para a ação.
Spark tinha uma ideia gigante na cabeça. Ela queria reunir toda a sua família — tias, tios, primos e avós — para um passeio especial. Mas não era um passeio qualquer. Ela passou dias no seu ateliê batendo martelos e apertando parafusos. Pum, pum, pá! Ela estava construindo o Trenó Solar! Era uma máquina feita de madeira de cedro polida, com assentos acolchoados por uma colcha colorida e um motor brilhante feito de cristais que capturavam a luz do sol.
— Estão prontas, orelhas? — perguntou Spark aos seus óculos, enquanto limpava o nariz com a mão suja de graxa. — Hoje vamos voar sobre a floresta!
Ela chamou toda a família. O Tio Thistle, que era um pouco ranzinza, reclamou: "Mas Spark, elfos andam no chão!". A Prima Fern, que adorava flores, trouxe seu caderno de desenhos. Até os Elfos Anciões apareceram, franzindo a testa curiosos. Todos subiram no trenó. Spark ajustou os óculos, apontou o cristal para o sol e... Zuuuuuum! O trenó deslizou suavemente pelas copas das árvores. "Uau!", gritaram as crianças. Era pura magia e luz!
Eles passavam por entre as folhas verdes como se fossem peixinhos no rio. Spark estava radiante, com suas bochechas sujas brilhando de alegria. Mas, de repente, o céu começou a ficar esquisito. Eles entraram no Bosque da Sombra Profunda. Lá, as samambaias eram tão gigantes que tapavam todo o sol. O cristal do motor começou a brilhar bem fraquinho. O trenó foi ficando lento... mais lento... vrum... vrum... suspirou... e Puf! Parou totalmente no meio da escuridão.
— Oh, não! — sussurou Spark, sentindo as orelhas murcharem. — Sem sol, o trenó não anda. Eu estraguei tudo, não estraguei? Eu queria que fosse perfeito.
Tudo ficou muito silencioso. Você consegue ouvir o silêncio da floresta? Foi então que a Prima Fern disse: — Spark, olhe para baixo!
No escuro, o chão da floresta estava coberto de musgos que brilhavam como estrelas verdes. Pequenas flores que só abrem à noite soltavam um perfume doce de baunilha. Toda a família desceu do trenó e começou a observar as maravilhas que nunca veriam se estivessem correndo no sol. O Tio Thistle deu um sorriso raro: — É o lugar mais calmo que já vi, pequena Spark. Obrigado por nos trazer aqui.
Spark percebeu que a família não estava brava. Eles estavam juntos! E estar junto é o melhor motor do mundo. Ela teve uma ideia brilhante. — Pessoal, se empurrarmos o trenó só um pouquinho até aquela mancha de luz ali adiante, poderemos voltar!
Todos se posicionaram. — Um, dois e... Hê-ô! — empurraram os primos. — Um, dois e... Hê-ô! — empurraram os tios. Com um esforço coletivo e muitas risadas, o trenó alcançou um raio de sol que atravessava as folhas. No instante em que o cristal tocou a luz, ele brilhou mais forte do que nunca! Vruuuuuuum!
O Trenó Solar subiu novamente, voando de volta para casa sob um céu de fim de tarde. Spark pousou o veículo com segurança no pé do velho carvalho. Ela estava exausta, com os dedos sujos e o coração transbordando de felicidade. Ela tirou os óculos, abraçou sua família e soube que, não importa se havia sol ou sombra, o importante era quem estava no trenó com ela. E foi assim que tudo terminou muito, muito bem.