Era uma vez, no alto das Falésias de Esmeralda Cintilante, um dragãozinho chamado Zog. Agora, imagine um dragão. Imaginou? Zog era exatamente assim, mas com um detalhe: ele parecia um abacate gigante, redondinho e verde, com escamas que brilhavam como joias ao sol. Ele tinha um focinho largo que parecia estar sempre sorrindo e, na base de sua cauda, usava um anel de ouro que brilhava mais que moeda nova. Mas havia um pequeno problema... Suas asas! Elas eram minúsculas, transparentes como bolhas de sabão e faziam um barulho engraçado quando batiam: flap-flap-flop!
Enquanto os outros dragões cruzavam o céu como flechas de fogo, Zog passava o dia no chão, recolhendo pedrinhas brilhantes em sua bolsa de couro. Ele olhava para cima, suspirava e pensava: "Será que este anel na minha cauda é mágico? Talvez, se eu balançar ele com força suficiente, eu saia voando como um foguete!". Sabe o que ele fez? Ele tentou. E tentou de novo. Mas, em vez de voar, ele apenas dava saltinhos desajeitados, balançando o bumbum verde para lá e para cá. Bum! Lá ia o Zog para o chão de novo.
Um dia, Zog decidiu que aprenderia a voar sozinho, sem ajuda de ninguém. Ele foi até o Prado dos Cogumelos Saltitantes. Você consegue imaginar o que aconteceu? Zog subiu no maior cogumelo vermelho e... Boing! O cogumelo o jogou para o alto! Zog bateu as asinhas com toda a força do mundo — vupt, vupt, vupt! — mas suas asas eram pequenas demais para o seu corpo gordinho. Ele flutuou por dois segundos e... Plaft! Caiu direto num monte de musgo fofinho. Os Saltadores de Musgo, umas criaturinhas que moravam ali, ficaram olhando com os olhos bem arregalados. Você acha que ele desistiu? Nem pensar!
Ele tentou usar um guarda-chuva de sementes de dente-de-leão. Uoooosh! O vento o levou, mas não para onde ele queria. Zog foi arrastado para longe, para além das falésias conhecidas, até ficar preso no topo do Pico Alto e Solitário. O vento ali em cima era frio e as nuvens pareciam paredes cinzas. Zog olhou para baixo e sentiu um friozinho na barriga. Ele estava sozinho. Ele tentou bater as asas, mas estava cansado. O anel de ouro em sua cauda parecia pesado agora, como se o puxasse para baixo. "Eu não consigo", ele sussurrou, e as escamas em forma de coração no seu ombro ficaram opacas e tristes.
Mas, espere! O que é aquele som no horizonte? Vrum... Vrum... Vrum... Eram batidas de asas poderosas! Mama Velox e Papa Ignis estavam vindo ao resgate. Mas eles não vieram para simplesmente carregá-lo como se fosse uma trouxa de roupa. Eles fizeram algo muito mais mágico. Eles começaram a voar em círculos ao redor de Zog, batendo as asas em um ritmo calmo e constante. Sabe o que eles estavam fazendo? Eles estavam criando a "Corrente da Família".
"Zog, querido," gritou Mama Velox, "não tente lutar contra o vento sozinho! Sinta o nosso ar!". Papa Ignis rugiu baixinho, de um jeito encorajador: "Abra suas asas, filho. Nós somos o vento que te carrega!". E então, algo maravilhoso aconteceu. O ar quente provocado pelas asas de seus pais começou a levantar Zog. Suas asinhas de bolha de sabão não precisavam mais fazer todo o trabalho. Elas só precisavam guiar o voo. O anel de ouro na sua cauda começou a brilhar intensamente, não porque tinha magia de motor, mas porque refletia o amor que o cercava.
Com o apoio deles, Zog sentiu-se leve como uma pena. Zás! Ele começou a planar. Ele não estava voando sozinho, mas estava voando de verdade! Ele subiu mais alto do que jamais imaginou, rindo e fazendo piruetas no ar. Ele entendeu que ser forte não significa fazer tudo sozinho, mas sim saber que o vento que mais nos ajuda é o amor daqueles que nos amam. E foi assim, balançando sua cauda dourada entre as nuvens e as canções de seus pais, que Zog descobriu que o céu não é tão alto quando temos companhia. E todos voltaram para casa a tempo do jantar, com o coração brilhando tanto quanto as escamas de esmeralda.